Archive for junho \26\+00:00 2009

Fabricação do Clarinete

 

Evolução do Sistema de Chaves

A evolução do chalumeau para o clarinete, por Johann Denner, traduziu-se na criação de um instrumento que não tinha mais do que 7 buracos e 2 chaves “operando” num curtíssimo registo tímbrico de 12ª.
Por volta de 1700, J. Denner colocou as 2 chaves de tal modo que uma delas (chamada “chave de registo”) possibilitou o aumento da tessitura do clarinete para aproximadamente 3 oitavas.
Em 1710, Jacob Denner, filho de Johannn, efetuou várias experiências na colocação das chaves descobrindo posições que permitiam atingir registos mais agudos e uma melhor afinação.
Por volta de 1740 foi introduzida a terceira chave e em 1778 o clarinete standard tinha já 5 chaves. Não obstante, a esta altura o clarinete era sobretudo tocado por oboístas que tocavam ambos os instrumentos (oboé e clarinete) não havendo a tradição de um instrumentista se dedicar exclusivamente ao clarinete.

clarinetes de 5 chaves feitos por J.Denner

É curioso notar que foi para o clarinete de 5 chaves que Mozart escreveu o seu Concerto e Quinteto. É extraordinário imaginar a agilidade e virtuosismo do instrumentista a quem coube a missão de executar tais obras, considerando a complexidade dinâmica, tímbrica e cromática das mesmas, por um lado, e as limitações técnicas de um instrumento com apenas 5 chaves. Mozart compos o concerto e quinteto para seu amigo e companheiro de Maçonaria, Anton Stadler. O registro grave do clarinete era o que mais agradava Mozart, que frequentemente o comparava à beleza da voz humana.

anton stadler

silhueta de Anton Stadler

 

O clarinete de 5 chaves manteve-se como standard até princípios do séc. 19, época em que Ivan Muller introduziu lhe importantes modificações, de tal ordem que é por muitos considerado como o verdadeiro pai do clarinete moderno.
Ivan Muller, nascido na Russia, fixou-se por volta de 1809 em Paris, cidade onde se situavam os principais fabricantes de instrumentos em madeira da época. Começa então a introduzir alterações na construção do clarinete, desenvolvendo intrincados mecanismos de chaves, permitindo combinações técnicas que de outro modo só seriam possíveis com recurso a dedos suplementares.
Muller apresentou o seu “invento” (um clarinete com 13 chaves) no Conservatório de Música de Paris em 1815, e foi completamente rejeitado. Tal rejeição não derivou diretamente do sistema apresentado por Muller, mas sim do entendimento que os professores da época partilhavam de que este tipo de clarinete, com afinação em Sib, poderia acabar com os outros tipos de clarinete então existentes (com diferentes afinações) extinguindo a variedade tímbrica e recursiva que esses diferentes clarinetes se prestavam.

Em detalhe: as inovações nos clarinetes construídos por Muller

clarinete muller 2  claves sol#-lá

clarinete muller 3    chaves fá-ré#-dó#

clarinete muller  chave sol#-lá tal como conhecemos hoje

 

 

 

Cuidados ao comprar um clarinete (p. 2)

 

Clarinetes Usados

  1. Os clarinetes usados costumam ser muito mais baratos que os seus similares novos, o que os tornam muito atraentes, porém os cuidados para a compra devem ser maiores.
  2. Observe também se não há parafusos e molas enferrujados.
  3. Veja se não há trincas e rachaduras no corpo do clarinete. Mesmo reformadas, demonstram que a madeira desse clarinete tem a tendência a rachar, ou que pode ter sido mal cuidado pelo antigo dono. Muitas vezes elas são camufladas pelos luthiers, portanto seja bem observador.
  4. Deve-se observar o estado em que se encontra a câmara (parte interna do tubo, quanto mais lisa melhor).
  5. Note se há a logomarca do instrumento em todas as peças. Se não, repare se o design dos anéis e do tubo e das chaves é o mesmo. Muitas vezes alguns luthiers montam clarinetes “Frankensteins”. A campana de um, barrilete de outro, chave de outro.
  6. Existem verdadeiras preciosidades de marcas desconhecidas. Instrumentos profissionais antigos feitos por pequenas fábricas que deixaram de existir. Só para citar: Thibouville Frères, Pruefer, La Margue, Couesnon, Kohlert, Gautier.
  7. Compre instrumentos revisados e com garantia, de preferência de uma loja ou luthier de confiança.

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Cuidados ao comprar um clarinete

 

Clarinetes Novos

  1. Instrumentos em ABS são para iniciantes, portanto se você já toca ou pretende se profissionalizar, prefira o clarinete de ébano.
  2. Veja como está o acabamento, se as cortiças estão bem acabadas, se não falta nenhuma sapatilha,  se há rebarbas (se for de ABS) no tubo e orifícios, trincas ou rachaduras (no caso do ébano).
  3. Monte o instrumento e veja se encaixa perfeitamente, tem de estar firme, sem jogo entre as junções.
  4. Se você já toca, sopre bem piano até o mi grave para verificar se há vazamentos. Se ficar difícil de sair o som, pode estar vazando, pois mesmo com controle de qualidade das fábricas, alguns pequenos problemas podem passar desapercebidos.
  5. Verifique o rebote das chaves. Se for lento, a mola pode estar ruim ou desajustada.
  6. Se for comprar um instrumento de madeira, certifique-se se é feito de ébano ( ou grenadilha) . O ébano é uma madeira naturalmente escura, então cuidado, pois já vi alguns clarinetes feitos de qualquer madeira, depois pintados de preto.
  7. Prefira marcas bem conhecidas no mercado, como Yamaha, Selmer, Buffet Crampon, Júpiter.
  8. Exija garantia.

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    Eddie Daniels

    eddie daniels clarinete  

    Eddie Daniels (nascido em 19 de outubro 1941) é um prolifico músico americano. Apesar de ser conhecido como um clarinetista de jazz, ele tocou tambem musica erudita, saxofone alto, tenor e flauta..
                Ele nasceu em Nova Yorque, oriundo de uma familia judia. Eddie cresceu em Brighton Beach, próximo ao Brooklin e começou a se interessar pelo jazz ainda adolescente, quando ficou impressionado pelos musicos que acompanhavam Frank Sinatra nas gravações que ouvia. Seu primeiro instrumento foi um sax alto, e com a idade de 15 anos ele tocou na competição para jovens do Festival de Jazz de Newport. Quando entrou para o ensino médio, começou então a tocar clarinete.
                Eddie chamou a atenção do publico de jazz como um saxofonista tenor, junto à Thad Jones- Mel Lewis Orquestra. Quando Thad e Mel organizaram sua banda em 1966, para tocar nas noites de segunda no Village Vanguard em Nove Yorque (onde ainda toca), Eddie foi o primeiro músico que eles chamaram.
    Após aquele ano, foi a Viena para participar da Competição Internacional de Jazz Moderno, concurso este organizado por Fredrich Gulda e patrocinada pela cidade de Viena. Ganhou o primeiro lugar, tocando saxofone. Continuou trabalhando com Thad e Mel pelos anos seguintes, excursionado com eles pela Europa constantemente.
                Daniels excursionou e gravou com uma grande variedade de grupos, desde pequenos até grandes orquestras e teve inúmeras aparições na TV. Desde 1980 ele se dedicou principalmente ao clarinete. Em 1989, ganhou um Grammy por sua interpretação de “Memos of Paradise” de Roger Kellaway.
    Tocou com Thad Jones, e mais recentemente tem atuado como artista convidado no album “Swingin’ For The Fences” o primeiro álbum da “Gordon Goodwin’s Big Phat Band”.  Foi destaque no mais novo album desta banda, “The Phat Pack”,  na faixa “Under The Wire”.
    Uma  faixa gravada com clarinete solo com a Thad Jones-Mel Lewis orchestra, "Live at the Village Vanguard",  chamou a atenção dos criticos e o fez ganhar o Downbeat Magazine’s International Critics New Star na categoria Clarinet Award. Esta conversão para o clarinete não foi nova, pois Eddie começou a estudar o instrumento aos 13 anos e recebeu seu diploma em clarinete da Julliard. Ganhando  numerosos Grammy e indicações, Eddie Daniels revolucionou o conceito de Jazz e Erudito.

    Ele é como um músico renascentista, um virtuoso tanto no jazz quanto no erudito,
    recebedor de não reservados elogios de seus pares, de criticos, e do público. A maior ambição de Eddie é alcançar com sua música o máximo de pessoas possível, para aumentar tanto o público de jazz quanto o de música erudita, ao mesmo tempo que acaba com as fronteiras entre esses estilos. Nas suas mãos, a música de Mozart pode ser tão atraente quanto a música de Charlie Parker e um concerto onde aparece ambos pode ser uma experiência recompensadora para o público.

     

    Sharon Kam Mozart clarinete concerto, primeiro movimento

     

    Composição do clarinete

    O clarinete tem cinco partes, que são: a boquilha, o barrilhete, o  corpo superior, o corpo inferior e a campana.73px-Clarinet

    Boquilha: é a zona do clarinete onde se sopra. Usa-se uma palheta (feita de cana, que vibra com a passagem do ar), produzindo som.

    Barrilhete: dá algum tamanho ao clarinete. É usado para a afinação. Quando o clarinete está “alto”, puxa-se o barrilhete para cima, mas caso contrário, põe-se o barrilhete para baixo.

    Corpos -superior e inferior- estes corpos são onde estão localizados os buracos e chaves onde se toca. O som fica diferente à medida que se mudam os dedos de posição, fazendo com que o ar saia por buracos diferentes.

    Campana: A campana é o “amplificador” do clarinete.

    Fonte: www.wikipedia.org
    

    História do Clarinete (p.2)

    A sonoridade do registro agudo da clarineta foi associado, a princípio, ao som do trompete, tanto que o primeiro nome dado ao instrumento foi mock trumpet (mock=“zombar”,“imitar”). Posteriormente, o registro agudo começou a ser chamado de “clarino” ,ainda em referencia ao trompete,  derivando em clarineta, ou seja “pequeno clarim”.

    A grande diferença da clarineta em relação aos demais instrumentos de sopro é que numa mesma posição o instrumento emite um intervalo de 12ª, enquanto os demais instrumentos emitem uma oitava. Essa característica possibilita à clarineta possuir a maior tessitura entre os instrumentos de sopro, de quase 4 oitavas. Logo, essa e outras  características começaram a cativar os compositores.

    Em 1740, Vivaldi compôs tres concertos grossos para dois clarinetes e dois oboés e Handel compos uma abertura para dois clarinetes e corno di caccia na mesma decada. Karl Stamitz e Georg Fuchs compuseram concertos para integrantes da famosa Orquestra de Manheim na década de 1780. Esses concertos demonstravam a grande facilidade com que os executantes podiam passar do registro grave ao agudo, porém a afinação e progressões cromáticas eram ainda grandes desafios. Durante esse período foi significante a experimentação por parte de luthiers no tubo e furos do clarinete com o objetivo de superar esses problemas.

    clarinetlg

    Em finais do século 17, o clarinete sofreu uma evolução com a introdução de novas chaves e alterações ao nível do diâmetro e posições dos orifício.  Ivan Muller (Alemanha) desenvolveu nesta fase o clarinete de 13 chaves cuja popularidade se manteve até finais do séc. XIX.


    Entre 1839 e 1843, Joachim Klosé e Theobald Buffet adaptaram ao clarinete o sistema de colocação de dedos da flauta, chamado Boehm. Apesar deste ser o sistema habitualmente utilizado hoje em dia, subsistem ainda outros sistemas, como é o caso dos sistema “Albert” e “Oehler” (usados sobretudo na Alemanha).

    Fonte: http://www.clarinetemania.com.br

    Clarinetes estranhos e seus primos esquisitos!

    Hoje vamos falar sobre o clarinete baixo em DÓ- século 18, e sobre o aulochrome.

    Clarinete baixo em DÓ- século 18

    clarinetebaixotorto

    Este curioso instrumento, por mais esquisito que possa parecer, é um clarinete baixo, conhecido popularmente como clarone. Ele foi construído na Itália por volta de 1820 por Nicola Papalini e é construído com madeira de pereira envernizada, metal e chifre. O corpo é composto de duas placas separadas escavadas, para possibilitar a construção do tubo em forma de serpente; as metades foram coladas e apertadas com pinos de metal. Possue nove orifícios para os dedos na parte frontal (sendo o segundo e o oitavo dobrados, o primeiro e o quinto feitos para serem usados com as articulações dos dedos) dois orifícios para os polegares e um para a ressonância da campana. Com apenas 5 chaves de metal.

    Aulochrome

    aulochrome

    O aulochrome é um novo instrumento de sopro inventado pelo belga François Louis em 2001. Consiste de dois saxofones sopranos que podem ser executados separadamente ou juntos. O nome origina-se do grego “aulos”, (nome de um importante instrumento de sopro da Grécia antiga) e chrome (cromático, colorido). Seu mecanismo possibilita que se toque os tubos juntos ou separadamente em toda a extensão. Também permite qualquer intervalo polifônico entre os tubos, assim pode-se tocar a nota mais grave de um tubo e a mais aguda de outro simultaneamente. Os primeiros a utilizar esse instrumento foram os saxofonistas Fabrizio Cassol and Joe Lovano, que recentemente fizaram gravações utilizando-os.

    Fonte: http://www.clarinetemania.com.br

    Exercícios para obter uma boa sonoridade

    Vamos começar agora com alguns exercícios para se obter uma boa sonoridade.

    Comece pelo exercicio n°1, soprando bem relaxadamente. Ao apertar a chave de mudança de registro, deve-se manter a mesma embocadura do grave, ligando o grave ao agudo.  Se “guinchar” é porque está apertando demais com os lábios. Se o som não sair, ou sair muito fraco é porque está faltando mais pressão de ar. Pratique em frente a um espelho e procure notar bem se está conseguindo manter a embocadura esticada e sem mexer enquanto troca de registro. No exercício n°2, note que na primeira nota, o tubo da clarineta está soando em sua nota fundamental (tubo fechado), em seguida, no registro médio porém com o registro acionado (tubo fechado – harmônico), e posteriormente, na última nota de cada série, com o tubo completamente aberto. O objetivo é buscar uma igualdade de embocadura e coluna de ar em mudanças de registro, para visar maior equilíbrio de som.

    Exercício 1

    exer_1

    Exercício 2

    exer_2

    Espero que tenham gostado dos exercícios. Até a próxima!:)